“Se não está contente, procure outra profissão” por Ligia Cheron

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The garden de Joan Miró

Essa é uma das frases que se pode escutar quando há algum tipo de greve, seja dos bancários, dos professores, dos setores públicos em geral e até mesmo privados. É certo que, quem não está contente no local de trabalho, pode e deve mudar de profissão… mas, em alguns casos, é justamente por amar a profissão que há lutas por ela!

Quem ama cuida, luta, protege!

A lei do menor esforço (caminho mais fácil) não faz sentido quando há amor pela profissão. Apesar dos incautos desafios existem, na profissão de professor, por exemplo, profissionais apaixonados por lecionar.

Pra que lutar por melhores condições de trabalho? Por que lutar pelo lugar onde estou se posso ir para outro lugar? É comum escutar pessoas dizendo “se não está contente, procure outra profissão”, principalmente, agora com a greve da Educação e a ocupação dos alunos (que são dois movimentos distintos).

A máxima desse tipo de pensamento só tem dois lados: ou se é absurdamente feliz ou “cai fora”. Minhas limitações não permitem uma análise certeira para esse tipo de pensamento, mas arrisco dizer que tem suas raízes na insanidade (há vários tipos de insanidade, uma aceita pela sociedade a outra condenada por ela).

Esses pensamentos parecem estar ligados a sentimentos insanos como inveja e egoísmo (por que insanos? Por que são primitivos, ligados ao instinto, não passaram por nenhum tipo de crivo ou autocrítica. Esses sentimentos se diluem ao menor sinal de questionamento e aprofundamento emocional…).

As pessoas que pensam assim, talvez não possuam uma classe profissional unida como deveria, talvez não tenham uma boa representação sindical e, talvez, por isso, tenham que aceitar as condições de trabalho e piso salarial que lhe são impostos.

E, assim, agindo na superficialidade imediata dos pensamentos, falam coisas absurdas das classes que conseguem ser mais unidas que a deles. É necessário “ingerir doses diárias de lucidez” para que comentários insanos não sejam disseminados em progressão geométrica.

Ao invés de cada um lutar por melhores condições de trabalho e disseminar harmonia no local em que estão e no meio social em que vivem, essas pessoas se prestam a diminuir a luta do outro. Que fique claro que todos têm o direito de não concordar com algo e opinar, mas com fundamento e respeito.

A formação de pensadores não precisa, necessariamente, acontecer depois de ter passado por um turbilhão de informações acadêmicas. É possível que você, eu, ele (pessoa comum e até mesmo sem estudo algum) aprenda a ser um pensador e sair da superficialidade.

A arte da crítica deve começar com a crítica de si mesmo, das próprias crenças e sentimentos, para depois criticar com sabedoria as coisas externas à sua própria mente.

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Lígia Cheron
Licenciada em Ciências Biológicas
Já foi professora PSS na rede estadual
É Nutricionista na Corpus – Equipe Multiprofissional